Me lembro exatamente como eu me sentia quando ouvia as instruções sobre o que fazer na água em minha primeira viagem de rafting. Era uma estranha mistura de medo e excitação – sentimentos que normalmente me aparecem sempre que inicio ou planejo uma nova aventura. Eu estive na Costa Rica por três dias e um dos meus objetivos para a viagem foi descer o belo rio Pacuare.

Eu imagino que sejam histórias como esta que levam as pessoas a pensarem que tenho um espírito aventureiro. Mas será que essa experiência foi realmente coisa de aventureiro? Meu guia desce o rio dezenas de vezes durante a semana mas, diferente de mim, ele não sente mais as mesmas emoções que antes, ele esta apenas fazendo seu trabalho. Outro casal que conheci na viagem já estava se “aventurando” pela Costa Rica pela sexta vez. Para eles, essa era apenas mais uma viagem normal.

Ser aventureiro é vivenciar novas experiências

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Eu acho que grande parte da emoção de qualquer aventura está relacionado com a nova experiência. Você ter que desbravar terras e lidar com experiências que nunca teve antes. A parte divertida da aventura é essa, não saber exatamente qual será o resultado. Não é uma coisa que você consegue prever qual será o resultado e que você conhece muito bem.

É como a lei dos rendimentos decrescentes. Uma vez que você alcança certo ponto, quanto mais você fizer aquela coisa, menos você irá realmente sentir isso. Por exemplo, quando eu estava em Belize com um amigo meu, nós dois decidimos explorar as águas do recife de coral e reserva marinha. No dia seguinte, ele queria ir para o mergulho novamente.  Eu não estava muito interessado, queria explorar a ilha um pouco mais. Então ele saiu pro mergulho e eu fui explorar a ilha.

No final daquele dia nos reunimos e ele me contou que a experiência não foi tão boa como no primeiro dia. Ainda havia sido uma experiência divertida, mas não tinha mais nenhuma aventura nela.

Isso aconteceu porque já não era uma experiência nova para ele. Se ele tivesse esperado alguns meses e então feito novamente o mergulho, a novidade teria retornado já que a experiência não estaria tão fresca em sua mente.  Perceba que não importa o quão algo parece ser aventureiro para você, quanto mais você fizer menos aventureiro isso se tornará.

Medos e riscos nas aventuras

Parte da razão pela qual uma aventura torna-se menos aventureira para você vem pela questão dos medos e riscos envolvidos. Quando você salta de um avião pela primeira vez, você esta preocupado com as chances do paraquedas não abrir. Não importa o quão seguro te disseram que essa atividade é, sua mente estará pensando nos riscos e você sentirá medo.

No entanto, se é o seu salto de número 100, você se sentirá extremamente seguro. O medo e os riscos são enfraquecido, juntamente com o entusiasmo. Embora a diversão ainda esteja lá, a parte aventureira já não estará mais.

Não é que necessariamente a atividade em si que se torna menos aventureira. Se eu for viajar de avião para um país longe que eu nunca tenha ido antes, eu ainda teria esta sensação de aventura. Não é só porque viajei por vários outros países que minha empolgação irá diminuir.

O que iria diminuir a emoção é se eu tivesse viajado muitas vezes para aquele país. Eu já saberia o que esperar, para onde ir e o que ver. Haveria muito pouco de novo e sem o medo do desconhecido há poucos riscos envolvidos. Ainda seria uma viagem divertida, mas não seria mais uma aventura.

A aventura do desconhecido

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Eu acho que existem duas características chaves da aventura. A primeira é o desconhecido. Quanto menos você souber qual será o resultado, mais aventureiro será. Isso significa sair da sua rotina e zona de conforto, seja lá qual for.

A segunda característica chave da aventura é o medo. Qualquer aventura nos proporciona pelo menos um pouco de medo para realizá-la. Isso não significa, necessariamente, superar seus maiores medos. Apenas um pouco de medo já é o suficiente.

Estas duas características estão intimamente ligadas. Avançar para o desconhecido será sempre assustador. Mas ter um espírito aventureiro significa fazer coisas que você normalmente não faz. Caso contrário, você está apenas agindo dentro da sua rotina e não há nenhuma aventura nisto.

Não importa se o que você irá fazer já tiver sido feito por outra pessoa. Se é algo novo para você e que te faz sentir pelo menos um pouco de medo, é uma aventura. Foi por isso que meu rafting no rio da Costa Rica foi uma aventura para mim, enquanto para meu guia foi algo rotineiro, apenas mais um dia de trabalho.

Quebre barreiras internas com aventuras

Para mim, uma das melhores coisas da aventura é como ela me afeta internamente. Um dos pensamentos que geralmente persiste em minha cabeça depois de uma aventura é: o que mais eu sou capaz de fazer? Antes da aventura você apenas reconhece seus limites; depois dela você percebe que você não tem limites. Isto é uma coisa incrível para se pensar e é algo que todos deveriam experimentar pelo menos uma vez.

Estou ansioso para sentir novamente essa sensação de medo e excitação novamente em minha próxima aventura. Porque eu sei que estarei quebrando as barreiras que eu coloco em mim mesmo. Eventualmente, eu terei poucas barreiras internas em minha vida. Isso é algo que estou olhando para frente.

E para você, o que “aventura” significa? Você também tem esses sentimentos antes e enquanto está se aventurando? Quais foram suas últimas aventuras?

 

*texto livremente traduzido e adaptado do site Do Something Cool. O artigo original se encontra em “O que significa ter espírito aventureiro“.

 

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