“Cair faz parte.” Talvez essa seja uma das frases mais ouvidas no universo do skate, principalmente por aqueles que estão iniciando nas quatro rodinhas. Que skatista nunca levou um tombo? Que skatista nunca voltou ralado de um role? Posso dizer com toda convicção que: NENHUM. E ver Bob Burnquist se arriscar no Bowl da Praça Duó, Rio de Janeiro, só me comprovou ainda mais isso. Até porque, acredite ou não, o maior recordista da história do X-Games foi o cara que mais caiu durante a sessão … mas também foi o que mais levantou e arriscou.

Após ter visto o cara destroçando o skate com toda aquela determinação em um domingo extremamente quente e abafado, não me restou dúvida, eu tinha muito o que aprender com Bob Burnquist. E foi só começar a rever a carreira do skatista para entender o porque dele ter conquistado tudo o que conquistou e ser quem ele é.

Bob Burnquist Skatista

Imagem via Instagram @VidaOutside

Os tombos

“Não andei bem logo de cara, mas eu era atirado. Quando eu era moleque tomava os piores tombos. O pessoal falava “porra, se mata logo”.” Bob Burnquist em entrevista para Revista Trip.

Se você ler as entrevistas do Bob vai ver que ele nunca se considerou o melhor skatista de todos os tempos, mas que sempre foi muito determinado. E este é um de seus maiores diferenciais. Sua paixão pelo skate o motivou a estender seus próprios limites, a improvisar e até mesmo a completar uma manobra tida como “impossível” pelo maior skatista da época Tony Hawk, como o giro de 900º na mega rampa.

O que Bob fez ao ouvir que era “impossível” realizar essa manobra? Tentou, tentou e tentou. Segundo ele “tentava quase todos os dias durante três a quarto hora e com certeza cai mais de 900 vezes.” Mas mesmo assim continuou determinado, motivado e, principalmente, com a mente aberta para acreditar que era possível e deixar o skate fluir. Até que

Foi exatamente essa mesma determinação que vi aquele dia. Ele não tinha nenhuma obrigação de dar show, poderia apenas andar igual aos outros em que a preocupação maior era não cair ao invés de realizar as manobras dentro do Bowl. Mas se fizesse isso não seria Bob Burnquist. E ele foi lá, caiu, levantou e mostrou que é exatamente naquele ambiente desafiador que se sente bem.

“Às vezes eu fico cinco dias tentando uma manobra e não acerto, até 300, 400 vezes. Quando eu acerto, aquele momento de alegria, por menor que seja, vale por todas as vezes que caí.” Bob Burnquist via R7

Posso dizer também que ele sabe como cair (ou pelo menos aprendeu depois de tantos tombos). E saber cair é uma arte. Como ele mesmo costuma dizer, “Mas eu sei cair, isso que as pessoas não sabem. Tenho a confiança de que, se me quebrar, vou me quebrar de maneira coerente. Não sei se existe isso, mas em vez de quebrar o pescoço, quebro o pulso.”

Só que mesmo tendo domínio dessa arte algumas quedas são inevitáveis quando se lida com esportes de alto risco, como o skate na mega rampa. E foi o que aconteceu com o skatista ao arriscar um aéreo pra lá de alto durante o campeonato, como mostra o vídeo a seguir:

Skate e a vida

“A primeira coisa que faço se eu caio é levantar e tentar de novo. É psicológico mesmo. Se não fizer logo, cria uma barreira depois.” Bob Burnquist em entrevista para Revista Trip.

Bob está mais do que acostumado a cair, levantar e tentar de novo. Mais do que isso, ele aceita esse fato como parte da manobra e se arrisca o quanto for necessário em busca do momento de satisfação que virá quando finalmente completá-la. Ele tem esse pensamento claro em sua mente, essa atitude já faz parte de sua personalidade. E foi por isso que conseguiu chegar aonde chegou no skate e também na vida.

Se ele é ou não é o melhor skatista de todos os tempos é questão a se debater durante horas e dificilmente chegar em algum consenso, mas é inegável que ele é um dos mais inteligente e que é um empreendedor FODA. E ele não ganhou toda essa sua habilidade em empreender fazendo cursos ou estudando (o que realmente são bons para evoluir), Bob Burnquist teve em suas experiências seus grandes aprendizados e o skate com certeza foi seu professor mestre. Foi se aventurando nas quatro rodinhas que aprendeu a cair, levantar, tentar e também a improvisar, 4 pilares essenciais para qualquer pessoa que queira empreender com sucesso ou apenas ter uma vida mais satisfatória.

Bob Burnquist Skate

Instagram @VidaOutside

Cair dói, pode machucar horrores e te quebrar inteiro, mas é necessário aprender. E precisa ser sozinho, por conta própria, pois só assim você viverá completamente a sensação de se reerguer após uma queda. As quedas fazem parte de nossa história e também da carreira do Bob e de qualquer outro skatista. Não é vergonha nenhuma cair, as mais experientes e sucedidas pessoas já sofreram seus tombos. Vergonhoso é ficar no chão de cabeça baixa, é não admitir que errou e com isso também não aprender com esses erros. Vergonhoso é desistir e não se levantar após as quedas.

No skate errar faz parte do jogo. Não adianta ficar vendo vídeos em camera lenta e achar que já aprendeu e irá completar a manobra logo na primeira tentativa. É preciso praticar, se arriscar, cair, levantar e tentar novamente. Só assim você vai adquirir a determinação, auto confiança e coragem necessárias para ser bem sucessido no skate e também em qualquer área da vida. É da prática que vem a evolução, e Bob Burnquist sabe muito bem disso. Ele não se cansa de cair, levantar e subir novamente no Bowl.

Bob Burnquist cair levantar skate

Instagram @VidaOutside

Mas não é fácil cair e levantar tantas vezes. Não importa o quanto você realmente queira, é preciso algo a mais para te motivar diariamente. E o que impulsiona o Bob Burnquist é justamente seu vício em aprender manobras novas. É por isso que mesmo tendo conquistado praticamente tudo o que se propos, o skatista continua inovando e surpreendendo. Ele mantém a mente aberta pra novas experiências e são elas que o motiva a levantar da cama e dar continuidade a sua evolução e aprendizados,

Para aprender uma manobra nova a cada dia ele construiu uma mega rampa no quintal de sua casa e extrapola os limites da radicalidade no skate brincando na arquitetura do espaço, como mostra uma de suas últimas produções “Dreamland”:

 

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